Crimes da ditadura são temas de "Um Interlúdio: a Morte e a Donzela"

Publicado por Priscilla Santos em 28 de Julho de 2017, 11:45

A montagem do grupo Encena chegou, em Ouro Preto, à sua 50ª encenação. Fotos: Larissa Pinto

Após ter o pneu furado na estrada, o renomado advogado Geraldo Escobar recebe a ajuda de Roberto Miranda, um médico acima de qualquer suspeita. A amizade dos dois, no entanto, é o estopim de uma trama psicológica onde o passado se faz cada vez mais presente. Em “Um Interlúdio: A Morte e a Donzela”, peça exibida na noite de sábado (22), no Centro de Convenções, a forte presença de seus protagonistas e um roteiro intenso arrancaram fortes aplausos do público. 

Certa de que o novo amigo do marido é um dos carrascos da época em que foi perseguida e presa pela ditadura, Paulina Sales utiliza-se da memória para unir as peças e certificar-se de que se tratava da mesma pessoa. Reconheceu-o pela voz, pelos trejeitos, pelo cheiro. Pela citação de Nietzsche, pelas canções de Schubert. E decidiu fazer justiça com as próprias mãos.

O espetáculo é protagonizado por Christiane Antuña, Gustavo Werneck e Nivaldo Pedrosa. Em uma narrativa extremamente emocional, o espectador se vê diante das graves acusações de Paulina, de um personagem que alega inocência e de um marido temeroso pelo desfecho que a situação encaminhava. 

GRUPO ENCENA - Celebrando 30 anos de estrada, o Grupo Encena trabalha com temas que tenham relevância no momento em que as peças são apresentadas. “Um Interlúdio: A Morte e a Donzela”, uma adaptação da obra do autor chileno Ariel Dorfman, vem em um momento em “que é necessário falar sobre isso”, acredita o diretor e fundador da companhia Wilson Oliveira. “É preciso sempre continuar discutindo os crimes cometidos contra qualquer ser humano em qualquer tempo”, finaliza. A encenação do Centro de Convenções foi a 50ª do espetáculo.

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