Cortejo do Zé Pereira marca encerramento do Festival de Inverno

Publicado por Mariani Barbosa em 03 de Agosto de 2017, 20:17

O Zé Pereira do Club dos Lacaios foi homenageado nesta edição. Fotos: Tainara Torres / Larissa Pinto

Ao som de clarins, bumbos e tarois, o cortejo da agremiação mais antiga em atividade no Brasil encerrou o Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana 2017. O evento, que comemorou em 2017 seus 50 anos de existência, celebrou também os 150 anos do Zé Pereira Club dos Lacaios, trazendo em sua essência a homenagem ao grupo ouro-pretano. 

O festival, considerado um dos mais importantes agregadores de cultura do país, trouxe, ao longo de seus 16 dias de evento, mais de 190 atividades. Em meio a shows, rodas de conversa, oficinas, exposições e intervenções artísticas, promoveu-se o debate acerca da criação e formação da cultura e da arte, bem como sua contemplação.

A concentração do bloco se deu no final da tarde, no Bairro Antônio Dias. Seguiu, então, em direção ao centro, onde, na Praça Tiradentes, foi recepcionado pelas agremiações Zé Pereira da Chácara, Zé Bastião, Zé Pereira do Padre Faria, Bloco do Boqueirão e APAE Ouro Preto, o cortejo passou pelas principais ruas de Ouro Preto até a Praça da UFOP, lugar em que recebeu os cumprimentos da organização e dos participantes.

Na ocasião, o presidente do Zé Pereira dos Lacaios, Arthur Ramos Carneiro, ressaltou o valor do festival para a história do clube: "eventos como esse mostram o quanto o nosso Zé Pereira é importante aqui em Ouro Preto, no estado e no Brasil", destacando ainda a longevidade do grupo, que antes de chegar à cidade, já existia há mais de 20 anos no Rio de Janeiro. Hoje "somamos mais de 171 anos de história, então é um costume que temos que dar continuidade, e que venham mais 150 anos!", diz. 

CULTURA VALORIZADA - Moradora de Ouro Preto e presidente do Movimento Negro Cultural e Restaurador Jair Afonso Inácio, Efigênia Carabina exalta a culturalidade da ocasião: "eu acho que a nossa cultura tem uma mistura de coisas bonitas, e é muito interessante você ver que o Zé Pereira dos Lacaios está de pé até hoje, como resultado do esforço de muitas pessoas, que se envolveram pra não deixar tudo isso morrer", afirma.

Efigênia acrescenta ainda que "hoje o bloco tem bonecos que falam sobre as pessoas que passaram e marcaram a história de Ouro Preto, e esse trabalho é muito bonito. Porque mostra que o ser humano tem o lado bom, o lado místico, o lado criativo, e o Zé Pereira não pode morrer, aliás, nada na nossa cultura pode morrer", completa.

AVALIAÇÃO - No final do cortejo, já na Praça da UFOP, a Reitora Cláudia Marliére apresentou suas considerações finais: "É possível fazer um Festival de Inverno com grande qualidade mesmo com poucos recursos. Aí está hoje o término do festival, com uma avaliação extremamente positiva, e a gente acredita que os próximos anos serão ainda melhores. Só temos a agradecer a todos os parceiros e a todos que estiveram presentes aqui durante o evento".

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