Conceito de Artaud é destacado em espetáculo teatral

Publicado por Mariani Barbosa em 02 de Agosto de 2017, 20:22
Última atualização em 21 de Agosto de 2017, 20:44

Fotos: Larissa Pinto

Sob uma atmosfera de obscuridade e mistério, o espetáculo "Um pouco de Artaud em + ou - 60 minutos" foi apresentado na última sexta de Festival, dia 21 de julho, na sala 35 da Escola de Minas. A peça, realizada pelo Grupo Teatral Corpo Sem Órgãos, fez parte da programação do último final de semana do Festival de Inverno.

Na obra, as personagens, despidas de vestimentas e adereços, trouxeram em si elementos como angústia, medo, afetividade e morte. O ambiente soturno e intimista compôs o espetáculo de forma a tornar o público parte do enredo, com uma combinação de expressões corporais, sonoras e luminosas que foram determinantes para transmitir, de maneira marcante, o conceito definido por Artaud.

CRUELDADE - Como forma de reflexão sobre a sociedade, o ator, diretor, poeta e teórico francês Antonin Artaud propôs o conceito do Teatro da Crueldade como uma crítica à cultura do espetáculo e à maneira como a ocidente via o mundo. A proposta tem influências dos movimentos surrealista e dadaísta.

Lino Rosa, ator e diretor da peça, revela a motivação que deu origem ao trabalho: "eu já conhecia a obra do Artaud e já admirava muito tanto a história de vida dele quanto o que ele propôs no teatro", afirma. Lino, que é estudante de Artes Cênicas da UFOP, conta que "a peça foi um processo que nasceu dentro da disciplina Fundamentos de Direção, a partir da qual foi criada, no semestre passado, uma cena de 20 minutos", diz. 

O nome da peça surgiu também de uma demanda gerada pelo próprio estudo sobre o conceito do teórico francês. Com a proximidade do Festival, o grupo decidiu seguir com a pesquisa e "estender a cena anterior para uma cena de mais ou menos 60 minutos", relata Lino. Além disso, a escolha do termo "um pouco de Artaud" vem do fato de que "não seria possível falar de um gênio do teatro musical e da imensidão de seu trabalho em tão pouco tempo", completa.

A atriz e produtora da peça, Carolina Reis, espera "que o público tenha gostado e assimilado [o conceito] do Artaud, e, quem não o conhecia, que possa ter entendido um pouco da sua proposta", diz. A produtora revela também o valor do artista para o teatro contemporâneo: "Ele praticamente criou essa ideia do corpo no espaço e a performance, sendo o propulsor do teatro performático".

Carolina destaca também a importância da valorização do trabalho local: "Ficamos felizes por conseguir essa apresentação no Festival, porque estamos na nossa casa. E isso é muito importante, um festival daqui abrir as portas para quem está produzindo e experimentando aqui". Além disso, afirma ser "mais do que justo se apresentar pra quem a gente conhece, sem deixar de expandir isso para outros cantos. A gente quer produzir, se propagar, falar", diz.

GRUPO - A expressão "corpo sem órgãos", que dá nome ao grupo teatral, vem de um conceito também ligado a Antonin Artaud, que representa um corpo livre de automatismos e amarras sociais, buscando um modo libertário de se fazer o teatro. Além disso, em seu trabalho, buscava-se uma existência corporal que não era humana nem metafísica, mas sim de resistência.

ARTAUD - Nascido em Marselha em 1896, o autor francês teve sua vida marcada por transtornos psíquicos e emocionais. A perda dos irmãos contribuiu para desencadear um estado nervoso que o acompanhou por toda a vida, refletindo em seu trabalho e contribuindo para o conceito do Teatro da Crueldade. Além de peças teatrais, sua obra inclui trabalhos voltados para o cinema, literatura, pintura, ensaios e manifestos. Morreu em 1948, em Paris.

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