Cultura e aprendizado no Festival de Inverno

Publicado por Lethícia Bueno em 04 de Agosto de 2017, 19:18

Lethícia é aluna do curso de Jornalismo da UFOP. Foto: Fernanda Covalski

A essa hora, o Festival de Inverno já se findou. Foi-se embora, assim como muitos turistas, artistas e espetáculos que estiveram presentes nos 16 dias que celebraram os 150 anos da agremiação do Zé Pereira do Club dos Lacaios. Mas uma coisa é certa: o festival ainda está vivo em mim. Essa chama, que foi acesa pela primeira vez neste ano, ficará guardada como uma lembrança à espera de outras que, com sorte, virão daqui a 365 dias. 

Não que eu não conhecesse o Festival de Inverno antes. Morando há três anos em Mariana, duas edições do evento já passaram por mim e eu, enquanto espectadora e caloura, aproveitei algumas poucas atrações, porque ainda não conhecia a potência do festival. Tudo foi diferente dessa vez. Há certas experiências que precisam ser sentidas e vistas de perto para ficarem marcadas no íntimo. Me tornei parte daquela atmosfera purpurinada e acolhedora e queria que todos aqueles dias fossem duradouros. 

Cada cobertura e cada entrevista realizada era uma "cosquinha" na minha alma de repórter: um grupo de mulheres que saiu às ruas para quebrar padrões, um casal que trouxe os filhos para conhecer a cidade histórica, uma senhora que vendia baús envernizados, uma ex-moradora de Ouro Preto que se encantava pelo festival como se estivesse indo pela primeira vez, um senhor que tocava viola com as mãos e pandeiro com os pés e outro que vendia arte de rua para conseguir viajar de volta para sua cidade, entre o Brasil e a Colômbia… E tantas outras histórias, sotaques e perspectivas que eu, mais do que como estudante de jornalismo, estava ali como singular, mas também como plural; era tanto indivíduo quanto coletivo. E nessas dobraduras entre o eu e o nós, um pouco de mim ficou em todas essas pessoas, assim como um pouco delas já está em mim. 

Não há frase, citação ou apuração que expresse verdadeiramente o que vi nesses 16 dias. Percebi que é na subjetividade de cada um que o Festival de Inverno mora e sai, ano após ano, para encontrar outras vivências e particularidades que se complementam e se aproximam. Um festival de cores e de gente como a gente. Um festival dedicado a Zé Pereira que prova que, assim como ele, as tradições podem perdurar e se manter dentro de cada um, basta estar disposto a se deixar encantar. Eu, por fim, me deixei levar pelo encanto e já aguardo ansiosamente pelos próximos capítulos. Até breve, Festival de Inverno!

LABORATÓRIO - Lethícia Bueno é aluna do curso de Jornalismo da UFOP e é uma dos vários estudantes envolvidos na cobertura do Festival de Inverno. O evento, organizado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), tem caráter extensionista, e uma de funções é servir como um laboratório para os alunos da Instituição.

Aqui no site, todos os textos de cobertura de eventos foram redigidos por estudantes. Todas as fotos disponíveis no Flickr também foram feitas por alunos do curso de Jornalismo. O trabalho de produção de vídeos e as reportagens da TV UFOP também envolveram alunos de diversos cursos.

Todo o Festival teve a participação de estudantes de diferentes cursos da UFOP. De artes cênicas ou música às engenharias, o Festival deu a esses universitários a oportunidade de ver não só os eventos, mas também a produção, os bastidores e todo o processo para levá-los ao público - montagem de palco, recepção de artistas, distribuição e venda de ingressos e muito mais.

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