Performance “Mulheres em Fuga” traz resistência para as ruas de Ouro Preto

Publicado por Lethícia Bueno em 18 de Julho de 2017, 17:22
Última atualização em 24 de Julho de 2017, 11:58

A performance questiona as convenções sociais e culturais impostas ao gênero feminino. Fotos: Larissa Pinto

Um grupo de mulheres vestidas de branco, com véus e grinaldas, sai às ruas. Carregam nas mãos os tradicionais buquês de casamento. São noivas, mas somente enquanto durar o trajeto que liga o Centro ao bairro Rosário, em Ouro Preto, pois estão comprometidas com uma única causa: o empoderamento feminino. 

Idealizada pela companhia Repertório Artes Cênicas, a performance coletiva “Mulheres em Fuga” é uma ação que convida quem dela participa e quem a observa a questionar as convenções sociais e culturais impostas ao gênero feminino desde muito cedo. A oficina, realizada pela primeira vez em Minas Gerais, reuniu 12 mulheres e um homem para debater temas como casamento, filhos, corpo, machismo e padrão. Essa atividade faz parte da primeira etapa da performance e é intitulada “O Dia D’a Noiva”, em uma crítica à ideia do casamento como destino obrigatório das mulheres. 

Na segunda parte da oficina, as participantes são convocadas a se vestir com os trajes típicos de matrimônio e a ocupar as ruas da cidade em cortejo. O nome da performance surge daí: da demonstração de que as mulheres não precisam se casar para serem completas e de que essa é uma decisão que pode ser renunciada, se for da vontade delas. 

EMPODERAMENTO - Para Érica Queiroz, formada em Artes Cênicas (Direção) pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), a melhor parte da performance é a surpresa, quando o grupo passa pelas ruas. De fato, as reações geradas pelo cortejo são variadas. Vão do incômodo e do xingamento aos sorrisos e às aprovações. “Quando você brinca com a imagem da noiva, que é essa imagem do desejo do casamento, e ela [está] fugindo disso, é bom para as pessoas pararem um pouquinho para se incomodar”, comenta a artista, que também levou a filha, Heloísa, para participar da oficina e se empoderar. 

“Mulheres em Fuga” é a segunda performance urbana realizado pela Repertório Artes Cênicas, fundada em 2008 em Vitória (ES). Roberta Portela, também formada em Artes Cênicas (Direção) pela UFOP  e membra da companhia, conta que a oficina foi criada com o intuito de levar para a rua “as questões diárias sobre a mulher”, e que a maioria das inscritas não são atrizes, mas profissionais de outras áreas. Segundo ela, depois da oficina e do cortejo as mulheres experimentam um novo tipo de relação e de empoderamento (inter)pessoal. 

A performance “Mulheres em Fuga” é uma oportunidade de se reconhecer e de resistir. Ali estão mulheres reais e de diferentes formas, idades, etnias e estados civis afrontando o machismo e os papéis de gênero por meio da estética e da linguagem corporal. Mulheres que, casadas ou solteiras, deixaram seu recado por Ouro Preto junto aos dizeres das plaquinhas carregadas com os buquês: “meu marido não manda em mim!”.

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