Zé Pereira do Club dos Lacaios ocupa as ladeiras de Ouro Preto
Publicado por Juliana Carvalho
10 de Julho de 2018, 11:03
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Foto: Felipe Cunha

Na noite de domingo (8), o Zé Pereira do Club dos Lacaios, que foi tema do festival passado, fez sua primeira apresentação na edição atual. A agremiação fez a festa acontecer no largo Marília de Dirceu, com um desfile que finalizou com chave de ouro na Praça Tiradentes. Durante o percurso, o público ia crescendo e as janelas dos hotéis e casas passavam a fazer parte do cenário, com olhares curiosos e ansiosos pela atração de 151 anos.

Pollyanna Brunneli Caldas, 32, natural de Barbacena e moradora de Ouro Preto há 5 anos, conta que sua filha de apenas 8 meses adora o Zé Pereira. Por este motivo, ela não perde uma apresentação. Já William de Almeida Lorenzo, 34, veio de Juiz Fora para acompanhar a programação do Festival. Ele acredita que o Zé Pereira, assim como o evento, está cada vez mais popular e isso contribui para divulgar a cultura ouro-pretana. Assim como a filha de Pollyanna, William conheceu o Zé Pereira no carnaval deste ano.

Ao chegar na Praça Tiradentes, o Zé Pereira foi recebido pelo cantor Rubinho do Vale, que dividiu o palco com Arthur Ramos Caldeira, presidente do Club dos Lacaios. Arthur aproveitou a oportunidade para frisar a importância da festividade. “A nossa documentação antiga falava, desde o início de 1900 e um pedacinho de 1800, que o Zé Pereira participava do aniversário de Ouro Preto, então é importante esta apresentação porque é um contexto que a gente conseguiu recuperar”, destacou. Além disso, o cantor Rubinho prestou sua homenagem ao grupo cantando uma música sobre o Zé Pereira: “Eu sou Zé Pereira subindo a ladeira, e o povo querendo sambar […]”

Para Geferson Honório Silva, 74, que participa há 15 anos do Zé Pereira dos Lacaios tocando tarol, a apresentação “foi uma beleza, uma emoção muito grande. A coisa mais gostosa da minha vida é estar aqui, no meio de pessoas carnavalescas”. O músico ressaltou também a importância do grupo em sua vida pessoal: “O Zé Pereira é uma parte da minha vida, somos praticamente irmãos”.

Videoinstalação: Não alimente os peixes - Além do cortejo, o largo Marília de Dirceu recebeu a videoinstalação “Não alimente os peixes”. Segundo Vinícius Amorim, 24, um dos idealizadores do projeto, a instalação representa uma suspensão do cotidiano, na qual a arquitetura pode ser vista como os seres mais concretos. A partir disso, as projeções da instalação seriam os seres que transitam num espaço-tempo que não é o padronizado, seres que estão sempre nadando pelas correntezas. “O Festival deste ano, com o tema da Tropicália, está se abrindo a outras possibilidades e outras formas de se recriar. Acho que fazer coisas na rua é um caminho ótimo para que a comunidade venha ao encontro do que o festival está propondo”, comentou Vinícius.

A instalação estará no largo do Rosário, na terça (10), e na praça Reinaldo Alves de Brito, na quarta (11). Confira a programação completa do festival.

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