Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana homenageia 50 anos da Tropicália
Publicado por Evelin Ramos
15 de Junho de 2018, 19:23
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o professor Marcelo Loures levou um pouco da Tropicália para o seminário realizado com a equipe do Festival de Inverno. Foto: Letícia Conde

“Se o Tropicalismo inseriu a guitarra elétrica, o que nós vamos inserir agora, neste novo momento? O que nós vamos abraçar como possibilidade expressiva?” — Essa foi a resposta, com outras provocações, que o professor do Departamento de Artes (Deart) da UFOP, Marcelo Loures, nos deu ao ser questionado sobre como o Tropicalismo será incorporado ao 51º Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana.

A resposta não materializa os elementos e as características tropicalistas que farão parte do Festival, por outro lado, convida à experimentação e à releitura desse que foi um importante movimento de inovação musical e estética no final dos anos 1960. Segundo Marcelo, “o tropicalismo vem com aquilo que ele representa, que é uma tentativa de trazer algo que reconhece várias influências e critica um certo purismo cultural”. 

O movimento se caracterizou pelo rompimento com a lógica de produção artística nacionalista e por incorporar elementos de outras culturas, como a guitarra elétrica, citada por Marcelo. A dinâmica dos produtos culturais da época se dava pela dicotomia entre tradição e vanguarda, alta cultura e cultura de massas, pop e folclore. A ideia, portanto, foi movimentar esse cenário, apagar as marcas que estabeleciam as divisões e criar produtos que misturassem diversas culturas. De acordo com Marcelo, “o Tropicalismo, sem o menor pudor, nasce da deglutição de várias influências”. 

Para o Pró-Reitor Adjunto de Extensão, Wilson de Oliveira, “o movimento tropicalista foi um divisor de águas na cultura brasileira, do ponto de vista musical e comportamental. Não só a música, mas a cultura, de um modo geral, se tornou mais universal a partir dalí”. O aniversário de 50 anos do disco Tropicália, obra que reuniu nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa, segundo Wilson, foi o gancho para a escolha do tema desta edição.

TROPICÁLIA OU PANIS ET CIRCENCIS - Gravado em 1968, o disco teve a participação de Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé, além dos poetas Capinam e Torquato Neto e do maestro Rogério Duprat. A obra experimentou em doze faixas a inovação estética que propunha o Tropicalismo e configurou-se como manifesto do movimento. O LP foi eleito pela revista Rolling Stones o segundo melhor disco brasileiro de todos os tempos. 

Marcelo destaca que o movimento causa reverberações até hoje. O Tropicalismo, segundo ele, foi uma ocupação cultural. Wilson, por sua vez, destaca que Caetano, Gil e Gal continuam atuantes no cenário da música brasileira e são referência para as novas gerações. 

Sem dúvida, o Tropicalismo, incorporado como tema ao Festival, pode acionar potencialmente as artes plásticas, gráficas, o teatro e a música. Assim pensa também Marcelo Loures, que enfatiza: “Acho que o Festival é o lugar! O Festival de Inverno é a vertente pela qual o Tropicalismo pode ser explorado em termos de proposta, de mobilização, de riqueza, de diversidade, de forma de expressão”.

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