Cliver Honorato se apresenta na Casa da Ópera com repertório de seu primeiro disco
Publicado por Agliene Melquíades
25 de Julho de 2018, 08:44
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Foto: Rodrigo Sena

"Os sonhos são como órgãos, eles se movimentam, constroem coisas. Este Teatro nasceu de um sonho, esta cidade nasceu de um sonho. Construímos um mundo a partir de sonhos, construímos um mundo de sonhos. A vida é como um sonho e, ao contrário do que todos nós pensamos, justamente o acordar é o que nos mata". A declaração é do cantor Cliver Honorato, que tornou a noite fria de Ouro Preto mais acolhedora com o calor de sua apresentação na Casa da Ópera na última sexta-feira (20). O artista comemorou o aniversário de lançamento de um ano de seu primeiro disco, que carrega seu nome, compartilhando com o público esse sonho, em meio a aplausos do início ao fim da apresentação.

Intitulado "Ao seu dispor", o show trouxe canções autorais de Cliver com os arranjos dos músicos que o acompanham, em uma mistura gostosa de ritmos como MPB, Samba e Bossa Nova. Com 11 faixas, o álbum tem canções como a que dá nome ao show, além de "Cada qual no seu lugar", "Fonte da Tristeza", "Madrugada" e "Desumano". 

"O que me inspira é a questão do humano, dos afetos. Esse show perpassa pelos vários momentos do dia e é muito interessante pra mim, porque fala do que eu vivo, vem da observação do social e do humano", declara o cantor. Cliver, que se apresentou descalço durante todo o tempo, explica que existe uma energia que vem do chão e que para ele o palco é um local muito significativo, onde se sente à vontade e pode estar "ao dispor" das pessoas, em uma relação de trocas. "Ninguém sai pisando descalço no chão de um lugar onde não está à vontade", diverte-se. 

O cantor vê o Tropicalismo como um movimento em que os artistas envolvidos abriram as portas para os posteriores, "mas também complicaram muito a vida da gente", brinca. "Eles falaram de tudo e falaram muito bem. Acho que esse é o grande desafio: quando você faz algo assim, você planta uma semente, e nosso desafio hoje é sempre se reinventar e trazer novos elementos", conclui. 

Para a turista de Belo Horizonte Juliana Isabel, Cliver é um artista muito talentoso e suas músicas despertam uma tranquilidade gostosa de se sentir. Já a turista carioca Lúcia Pereira enxergou nas composições do músico um caráter mais intimista que provoca diversas reflexões. Para ela, "a arte é um exercício de espiritualidade necessário", capaz de transformar energia de pessoas e lugares.

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