Cia Sesc de Dança apresenta espetáculo "Outro em si - Permanência"
Publicado por Evelin Ramos
25 de Julho de 2018, 10:28
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Foto: Tuila Dias

Você já sentiu-se como um estranho para si mesmo? Por vezes, a angústia ou a exaustão de situações cotidianas nos descolam da nossa identidade. Você já passou por isso? O espetáculo “Outro em si - Permanência”, da Cia Sesc de Dança, foi concebido à luz das sensações que o movimento de tornar-se "outro" pode suscitar. Na noite de sexta-feira (20), quem foi ao Centro de Artes e Convenções com a expectativa de assistir a uma simples apresentação de dança, viu-se diante de um número mais complexo. 

O espetáculo foi uma adaptação, feita exclusivamente para o Festival de Inverno, da obra “Outro em si”, lançada pela companhia em agosto de 2017 e eleita o melhor espetáculo de Dança pelo Prêmio Copasa Sinparc de Artes Cênicas. O espetáculo original foi concebido pela coreógrafa Fernanda Lippi e tem como temática a resistência e a impregnação do que é estrangeiro para nós mesmos e as possibilidades de outrar-se, tornar-se outro. Dentro dessa provocação, a companhia fez uma formatação diferente, convidando três artistas da cena mineira, bailarinos de outros grupos, para compartilhar com eles o que foi criado dentro da Cia Sesc de Dança”, explica a Coordenadora Artística, Priscila Fiorini. 

A Cia Sesc de Dança é composta pelos dançarinos Amanda Soares, Cristhyan Pimentel, Isaías Estevam, Leonardo Bruno Rodrigues, Maíra Campos, Mirela França. Cinco deles contracenaram com os bailarinos convidados Cibele Maia, Eliatrice Gischewski e Maxmiler Junio. Durante o processo de imersão dos artistas, personagens e narrativas particulares foram compartilhadas a fim de serem experimentadas durante a coreografia. 

A apresentação de dança ganha, por vezes, uma aparência cinematográfica, tanto pela atuação cênica dos bailarinos quanto pelo arranjo de luz - os dois encorpam a narrativa e lhe dão dramaticidade. 

O espetáculo dura cerca de uma hora e vinte minutos, sem descanso para os bailarinos e nenhuma ruptura brusca entre as grandes cenas que são colocadas. Mais uma vez, a dança ganha cara de um filme sem pausa. Em sua formatação, o trabalho combina a mitologia com o sobrenatural, com o real e o com contemporâneo, e o resultado é uma atmosfera de angústia e exaustão, física e mental, com personagens que se misturam. 

Jéssica Ribeiro veio de Ipatinga para o Festival de Inverno e comenta entusiasmada suas impressões sobre o espetáculo: “Sobre a questão de migrar, me lembra que, às vezes, a gente migra de nós mesmos. Tem um conflito existencial fortíssimo! E eu achei incrível a sintonia do grupo e toda a energia, vontade e resistência que, em meio a exaustão, foi transformadora". 

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